22.6.11

"o muro quase branco pede um testemunho grafitado
a mesa poeirenta pede um poema rabiscado com o dedo
o carro sujo pede um Vilma ama João no vidro traseiro
a areia da praia pede um coração desenhado com um pedaço de pau

mas a onda apaga todas as declarações
a mangueira limpa as confissões automotivas
o poema some no perfex da criada
e o grafite é condenado pela prefeitura

duram mais os amores silenciados"

(Martha Medeiros, em: Cartas Extraviadas)


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