5.7.09

' ... sou exatamente uma mulher na encruzilhada, neste momento em que qualquer caminho consciente é novo, inventado na hora. '

[Ana M. Machado]

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'me emprestaste tua cola (sentimento)
e eu então remontei meu coração (despedaçado)'

[Natália Anson Lima]

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'Que todo mundo tenha um amor quentinho. Descanso pro complicado do mundo. Surpresa pra rotina dos dias. A quem esperar. De quem sentir saudades. Um nome entre todos. O verso mais bonito. A música que não se esquece. O par pra toda dança. Por quem acordar. Com quem sonhar antes de dormir. Uma mão pra segurar, um ombro pra deitar, um abraço pra morar. Um tema pra toda história. Uma certeza pra toda dúvida. Janela acesa em noite escura. Cais onde aportar. Bonança, depois da tempestade. Uma vida costurar na sua, com o fio compriiiiido do tempo.'

[Briza Mulatinho]

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'Ela veio andando em sua direção. Havaianas verdes, vestido preto, cabelo combinando. Era toda dança. Se pudesse adivinhar, diria que era samba. Mas, não a conhecia mais. Não a re-conhecia mais. No meio do caminho, ela deu meia-volta. Como se perdesse a coragem ou a vontade. E ele sentiu o coração apertar pela possibilidade dela ir, sem nem chegar. Levantou de um salto, no exato momento em que ela olhou pra trás e começou a rir daquele jeito esquisito como se sentisse cócegas em todo corpo. Algumas coisas não mudam, pensaram. Os dois. Ao mesmo tempo. E, de novo, no mesmo lugar.'

[Briza Mulatinho]

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'Ela começa a tecer uma nova história. Dessas de amor, que são as preferidas. Os fios invisíveis, cruzam os quilômetros de distância. Tocam a pele, afagam, alentam. E do outro lado, a criança se deixa envolver. Porque é quente e macio. E o mundo, o mundo é tão hostil. Percebendo a entrega, ela se deleita. Trabalha dia e noite. Atravessa as horas, os dias, os meses. Incansável. Sonha acordada e faz planos mirabolantes. Inventa novas cores pra enfeitar o desenho, que é sempre dos mais bonitos. Espalha palavras doces pelo caminho e espera que as letras sejam devoradas. E são. Sempre são. Os corações têm fome de afeto.'

[Briza Mulatinho]

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"Há um menino, há um moleque, morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança ele vem pra me dar a mão
Há um passado no meu presente, o sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra o menino me dá a mão

Ele fala de coisas bonitas que eu acredito que não deixarão de existir

Amizade, palavra, respeito, caráter, bondade, alegria e amor

Pois não posso, não devo, não quero viver como toda essa gente insiste em viver
Não posso aceitar sossegado qualquer sacanagem ser coisa normal
Bola de meia, bola de gude, o solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança o menino me dá a mão"

[14-Bis]

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"Ela era branca, branca. Dessa brancura que não se usa mais. Mas sua alma era furta-cor."
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[Mário Quintana]

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Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores
Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores
Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores
Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores

Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho
Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho
Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho
Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho

Estou podando meu jardim
Estou cuidando bem de mim


[Vander Lee]

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'Eu dizia “apareça”, quando apareceu, não esperava. Um dia me beijou e disse “não me esqueça”, foi embora e só esqueci metade. Nada disso tem moral nem tem lição, curto as coisas que acendem e apagam, e se acendem novamente em vão. Será que a gente é louca ou lúcida quando quer que tudo vire música? De qualquer forma, não me queixo, o inesperado quer chegar: eu deixo'.

[Adriana Calcanhoto]
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'Para perder menos tempo com joguinhos. Para vencer o medo. Para dizer o que tiver que ser dito, mas não em outro idioma. Por favor. Chega de tanto tentar salvar nossa pele. Já sabemos, ela alcançará seu fim. Salvemos nossa alma da ruína, desse excesso de gestos comedidos, do medo, da solidão. Porque fugir é instintivo, e é biologicamente tão mais fácil e provável. Ficar é escolha. Que haja amor e menos covardia nas nossas escolhas... Senhor, escutai as nossas preces. Amém.'


[Cecília Braga]

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