15.3.12

A revolução em que acredito

é aquela ensinada por Nosso Senhor Jesus Cristo
que começa pela corrigenda de cada um,
na base do façamos uns aos outros,
aquilo que desejamos que os outros nos façam.




-Chico Xavier

23.2.12

Mais que laços, nós.: no fundo, uma heroína

Mais que laços, nós.: no fundo, uma heroína: E ela continuava sonhando. Porque leu naquele livro do Lobato: 'No fundo, heróis, porque só os heróis esperam e sonham.' E ela preferia...

17.2.12

Medindo as riquezas

“Tenho a intenção de processar a revista "Fortune", porque fui vítima de uma omissão inexplicável. Ela publicou uma lista dos homens mais ricos do mundo e, nesta lista, eu não apareço. Aparecem: o sultão de Brunei, os herdeiros de Sam Walton e Mori Takichiro. Incluem personalidades como a rainha Elizab...eth da Inglaterra, Niarkos Stavros e os mexicanos Carlos Slim e Emilio Azcarraga. Mas eu não sou mencionado na revista.

E eu sou um homem rico, imensamente rico. Como não, vou mostrar a vocês: eu tenho vida, que recebi não sei por que, e saúde, que conservo não sei como.

Eu tenho uma família, esposa adorável, que ao me entregar sua vida me deu o melhor para a minha; meus filhos maravilhosos dos quais só recebi felicidades, netos com os quais pratico uma nova e boa paternidade.

Eu tenho irmãos que são como meus amigos e amigos que são como meus irmãos.
Tenho pessoas que sinceramente me amam, apesar dos meus defeitos e a quem amo apesar dos meus defeitos.

Tenho quatro leitores a cada dia para agradecer-lhes porque eles leem o que eu mal escrevo.

Eu tenho uma casa e nela muitos livros (minha esposa iria dizer que tenho muitos livros e entre eles uma casa).

Eu tenho um pouco do mundo na forma de um jardim, que todo ano me dá maçãs que iriam reduzir ainda mais a presença de Adão e Eva no Paraíso.

Eu tenho um cachorro que não vai dormir até que eu chegue e que me recebe como se eu fosse o dono dos céus e da terra.

Eu tenho olhos que veem e ouvidos para ouvir, pés para andar e mãos que acariciam; cérebro que pensa coisas que já ocorreram a outros, mas que para mim nunca haviam ocorrido.

Eu sou a herança comum dos homens: alegrias para apreciá-las e compaixão para irmanar-me aos irmãos que estão sofrendo.

E eu tenho fé em Deus que vale para mim amor infinito.

Pode haver riquezas maiores do que a minha? Por que, então, a revista Fortuna não me colocou na lista dos homens mais ricos do planeta?

E você, como se considera? Rico ou pobre?
Há pessoas pobres, mas tão pobres, que a única coisa que possuem é ... DINHEIRO.



Armando Fuentes Aguirre (Catón)

10.2.12

declaro-os maduros

Em maio de 98, escrevi um texto em que afirmava que achava bonito o ritual do casamento a igreja, com seus vestidos brancos e tapetes vermelhos, mas que a única coisa que me desagradava era o sermão do padre.

‘Promete ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-lhe e respeitando-lhe até que a morte os separe?’

Acho simplista e um pouco fora da realidade. Dou aqui novas sugestões de sermões:

- Promete não deixar a paixão fazer de você uma pessoa controladora, e sim respeitar a individualidade do seu amado, lembrando sempre que ele não pertence a você e que está ao seu lado por livre e espontânea vontade?

- Promete saber ser amiga(o) e ser amante, sabendo exatamente quando devem entrar em cena uma e outra, sem que isso lhe transforme numa pessoa de dupla identidade ou numa pessoa menos romântica?

- Promete fazer da passagem dos anos uma via de amadurecimento e não uma via de cobranças por sonhos idealizados que não chegaram a se concretizar?

- Promete sentir prazer de estar com a pessoa que você escolheu e ser feliz ao lado dela pelo simples fato de ela ser a pessoa que melhor conhece você e portanto a mais bem preparada para lhe ajudar, assim como você a ela?

- Promete se deixar conhecer?

- Promete que seguirá sendo uma pessoa gentil, carinhosa e educada, que não usará a rotina como desculpa para sua  falta de humor?

- Promete que fará sexo sem pudores, que fará filhos por amor e por vontade, e não porque é o que esperam de você, e que os educará para serem independentes e bem informados sobre a realidade que os aguarda?

- Promete que não falará mal da pessoa com quem casou só para arrancar risadas dos outros?

- Promete que a palavra liberdade seguirá tendo a mesma importância que sempre teve na sua vida, que você saberá responsabilizar-se por si mesmo sem ficar escravizado pelo outro e que saberá lidar com sua própria solidão, que casamento algum elimina?

- Promete que será tão você mesmo quanto era minutos antes de entrar na igreja?

Sendo assim, declaro-os muito mais que marido e mulher: declaro-os maduros.




Marta Medeiros
Se for pra fazer a guerra, que seja de travesseiro.

Se for pra ter solidão, que seja no chuveiro.
Se for pra perder, que seja o medo.
Se for pra mentir, que seja a idade.
Se for pra matar que seja a saudade.

Se for pra ser feliz, que seja o tempo todo.
Se for pra morrer, que seja de amor.
Se for pra tirar de alguem, que seja a sua dor.

Se for pra ir embora, que seja a tristeza.
Se for pra ferir que seja sem querer.
Se for pra viver, que seja, pra ficar pra sempre com você.

Se for pra chorar um dia, que seja de alegria.
Se for pra cair, que seja cair na folia.
Se for pra bater, que seja um bolo
Se for pra roubar, que seja um beijo.

Se for pra matar, que seja de desejo.
Se for pra ser feliz, que seja o tempo todo.
Se for pra morrer que seja de amor.
Se for pra tirar de alguem, que seja a sua dor.

Se for pra ir embora, que seja a tristeza.
Se for pra ferir que seja sem querer.
Se for pra viver, que seja, pra ficar pra sempre com você


- Alvaro Socci

3.2.12

É que jardins são exaustivos feito relações humanas. Tem que cuidar todo dia, regar, podar, arrancar erva daninha, expulsar caramujo do mal, formiga temática, pragas mais diabólicas que o vírus Ebola. Planta malcuidada fenece que nem amizade sem trato.


(Caio F. Novas notícias de um jardim ao sul,
in: Pequenas Epifanias)
E devo dizer ainda que gostaria de vê-lo feliz,
 apesar de tudo o que me fez sofrer nos últimos tempos.



Caio F. Uma História De Borboletas,
in: Pedras de Calcutá
Se era um Príncipe Encantado? Não posso garantir. Primeiro que existem vários tipos de encantamento. Sei é que havia alguma coisa nele que o tornava, na verdade, um Príncipe DesEncantado.

(Caio F. O Mergulho do Príncipe Bailarino,
 in: Pequenas Epifanias)
Sally, q no fundo sempre foi apenas una lovely teenager, seguindo os conselhos de sua amiga Gilda, adestrava-se em equilibrismos a ponto de, antes de optar definitivamente pelo silêncio y portanto tornar-se una sombra, conseguir manter duas discussões simultâneas com la madrecita y the brother-sister, sustentando pontos de vista absolutamente contraditórios, sem q nenhum de los dos percebesse.


(Caio F. A verdadeira estória de Sally can dance,
 in: Pedras de Calcutá)
Estrelete estrelete estrelete estrelete - repetiu e repetiu até que a palavra perdesse o sentido e, reduzida a faíscas, saísse voando junto com o balão que ele soltou, escondido atrás do taquareiro. Bem na hora em que o sol sumia e uma primeira estrela apareceu. Estrela D’Alva, Vésper, Vênus, diziam. Diziam muitas coisas que ele ainda não entendia.


(Caio F. O destino desfolhou,
 in: Os Dragões Não Conhecem O Paraíso)
Ando, como direi? — decidido, guapo, bravo. Não engulo mais sapos desnecessários. Só sapos karmáticos, aqueles inevitáveis que vêm de fora pra dentro, ocê sabe.

(Caio F. Carta a Luciano Alabarse. SP 31.08.88)
Foi então que a vi. (…) E chorava, ela chorava. Sem escândalo, sem gemidos nem soluços, a prostituta na frente do bar chorava devagar, de verdade. A tinta da cara escorria com as lágrimas. Meio palhaça, chorava olhando a rua. Vez em quando, dava uma tragada no cigarro, um gole na cerveja. E continuava a chorar — exposta, imoral, escandalosa — sem se importar que a vissem sofrendo.

Eu vi. Ela não me viu. Não via ninguém, acho. Tão voltada para sua própria dor que estava, também, meio cega. Via pra dentro: charco, arame farpado, grades. Ninguém parou. Eu, também, não. Não era um espetáculo imperdível, não era uma dor reluzente de neon, não estava enquadrada ou decupada. Era uma dor sujinha como lençol usado por um mês, sem lavar, pobrinha como buraco na sola do sapato. Furo na meia, dente cariado. Dor sem glamour, de gente habitando aquela camada casca-grossa da vida.


(Caio Fernando Abreu. Pálpebras de neblina, in: Pequenas Epifanias)